"perder-se também é caminho" maktub

Dia 1: Carta à sua paixão.

 Amor, 

Por muitas vezes iniciei cartas para você tentando explicar nem que seja um terço do amor que tenho por você. Nunca consegui. Nem mesmo um quinto, um oitavo… Nunca cheguei nem perto. Engraçado, não é? Você quase sempre é tão bom em palavras, em fazer com que eu me sinta bem… 

E eu sempre me limito a falar que é recíproco, lançando trocentas de milhares de reticências. Mas a verdade é que… Até hoje, não encontrei nenhuma palavra, frase, ou expressão que fosse capaz de descrever meu sentimento por você.

Estou chorando. Peço desculpa pelas marcas de lágrimas que talvez borrem algumas palavras, mas não posso evitar. Me sinto tão mal quando não consigo preencher as suas, as minhas, as expectativas de qualquer um. 

O que eu sinto por você… É inédito. Não há dois no mundo. Nunca senti nada que assemelhasse-se a isso em nenhuma maneira. É tão grande. Tão bonito. Não sei como reagir a tal sentimento, porque nunca me achei digna desse sentimento dito “salvador”. Porque o que eu sinto por você… Me salvou.

Mais do que você ou alguma outra pessoa qualquer possam entender. Sei que você não acredita muito na sua capacidade de mudar alguém (e isso, amor, te faz um tolo. Se o seu amor por mim te transformou, porque o meu não pode fazê-lo também?), mas… De alguém fadado à acreditar que o amor era mero ingrediente para um bom livro, me tornei numa crédula boba. Entende? Do tipo que vê filmes de romance com um sorriso bobo no rosto, e que lê livros de amor eterno com um ar de “claro que isso é possível”. Do tipo que vê em pequenos detalhes o seu rosto. Em pequenos sons a sua risada.

Se isso não me faz a mais incorrigível e romântica crédula, não sei o que mais faria. Fora que agora estou ainda mais dada à sorrir. À querer bem. À amar.

Amar faz bem, querido. Você me provou isso. Te devo isso. 

Acho que falho novamente em tentar explicar em palavras o que te sinto. Queria poder chorar essas minhas lágrimas de aflição pertinho de você, para que você risse baixinho e falasse “Mas você é muito boba mesmo…” e me abraçasse e fizesse tudo ficar bem. Queria poder te explicar com um olhar, um toque, um abraço quando os tempos ficassem difíceis.

Queria que as coisas fossem fáceis para nós. 

Queria mesmo, de verdade. Acredite em mim. 

Mas outra coisa que livros de amor e filmes de romance me ensinaram foi que nada é fácil quando se ama de alguém de verdade. Todos os obstáculos me fazem ainda mais certa do sentimento enorme que eu tenho por você.

Sou péssima com palavras quando elas são sobre você… Mas posso dizer que quando escuto seu nome, minha reação automática é sorrir. Posso dizer que quando escuto você falar que ama, pelos da minha nuca se arrepiam e eu fico corada, dando aquela risadinha que te tira do sério. Posso dizer que quando eu me imagino no futuro… Sempre estou com você. Posso dizer que quando você chama meu nome, eu até começo a gostar um pouco mais dele. Posso dizer que quando você me faz rir, um peso enorme sai das minhas costas e tudo fica mais leve. Posso dizer que me imaginar sem você me traz lágrimas aos olhos. 

Se o passado foi difícil, hoje tenho orgulho de dizer que estamos juntos. Nunca duvidei. 

Não sei mais o que dizer. Não tem mais o que dizer.

Novamente, ainda não encontrei a palavra perfeita. Enquanto não a encontro, escolho uma quase semelhante: Eternidade. Eu e você. Continuarei procurando. 

Sempre sua.