“Ela não passava de uma pirralha, mas ele viu nela o que não viu em mais ninguém.
A verdade é que ela era um saco. Ria de tudo, principalmente nas horas erradas, levava tudo ao pé da letra e sempre se magoava com muito pouco. Tinha esse tique de ser sempre mais esperta que todo mundo, e isso a levava a despejar informações como se fosse uma enciclopédia falante. Ele sinceramente não entendia como havia vindo parar no meio daquela confusão que ela chamava de vida (logo ele, meu Deus do céu, que nunca teve paciência nem com a bagunça dele), mas de duas coisas tinha certeza - o sorriso dela era de todos o mais bonito, com aquelas covinhas adoráveis e seus dentes pequenininhos, e ela sabia fazê-lo feliz como mais ninguém.
E se ela era chata, ele era rabugento. Não gostava de praticamente nada, não concordava com absolutamente ninguém e se achava superior às coisas que aconteciam aos meros mortais. Porque - pasmem - ele se julgava verdadeiramente imortal, por cima do bem e do mal. Literalmente brincava com o perigo, fazendo coisas que ela (sempre contabilizando riscos e listando efeitos colaterais e possíveis consequências) nunca faria em sã consciência. Ou em consciência nenhuma. Não entendia muito bem como foi parar naquela montanha-russa, descarga constante de adrenalina, que ele chamava de vida, mas ela gostava - ele contava piadas ótimas, tinha aquele jeito charmoso de quem não se importa com muita coisa e olhava pra ela como se ela fosse a menina mais bonita de todo o metauniverso.
Nunca foram muito parecidos, nem se sentiram muito “alma-gêmeas-feitas-um-para-o-outro”, mas que sempre se deram muitíssimo bem e que sempre pareceram se completar é fato. Com aquele jeito tímido, certinho, educado até demais, receoso, sorridente e alegre de quem não conhecia muita coisa da vida, ela conseguiu fazer com que a rabugice dele diminuísse. Sabia o fazer feliz, sabia o fazer melhor… Ficar perto dela, para ele, era realmente sinônimo de alegria constante, coisa que ele havia se considerado privado havia muito tempo. E com aquele charme, aquele destemor, com seu jeito aventureiro, errado, errante, bem-humorado e inconsequente de quem já viveu mais do que deveria, ele fez com que ela experimentasse, pela primeira vez, viver. Não segundo palavras pré-decoradas de enciclopédias e livros de ciência, mas segundo o seu coração. Se ela tosou as asas dele pra que ele não desse uma de Ícaro-filho-de-Dédalo e voasse alto demais, ele a deixou saber que ela também tinha asas.”
Eram Tão Diferentes Que Tornaram-se Iguais, Letícia Sales.
“Rodrigo, têm sido dias difíceis sem você - já faz uma semana que você largou tudo que tínhamos em busca daquele que acredita que seja o melhor e mais fácil caminho pra nós dois. Mas se tem algo que a vida me ensinou, é que nada do que é bom pode, ao mesmo tempo, ser fácil. Entende? Tenho certeza que somos o melhor caminho um para o outro, mas também tenho certeza que somos o mais difícil. Não é fácil, não foi fácil e nunca vai ser fácil. Mas sempre valeu a pena, e eu não consigo compreender qual foi a razão de você ter desistido de mim dessa vez. O que fez com que todos os momentos bons não fossem motivos decentes para que você ficasse? Quando, mais ou menos, as risadas que eu te proporcionava, o apoio incondicional que eu sempre te proporcionei, minhas piadas sem graça, meu sorriso esquisito, minha maluquice, meu amor incondicional por você deixaram de importar - deixaram de pesar ao meu favor? Quando você começou a achar que seria mais fácil, melhor, mais simples viver sem mim? Sem me contar tuas histórias sem pé-nem-cabeça, sem suas tentativas babacas de me fazer rir, sem ter meu ‘te amo’ de manhã, de tarde e de noite? Quando teu amor se tornou inconstante, quando meu amor sempre foi constante o suficiente pra não te dar nenhum motivo pra isso? Quando você decidiu que desistir de mim era o melhor pra ti, Rodrigo? Quando tu parou de pensar em como isso me afetaria? Quando tu parou pra pensar o quanto eu sentiria a tua falta e como eu saberia que você não está sentindo a minha - porque eu te conheço, sei que você vai se colocar pra fazer mil coisas pra que assim você não, por acaso, acabe pensando em mim e nas minhas opiniões formadas sobre tudo - e como eu reagiria uma vez que você não viria atrás de mim? É horrível saber que não te dei motivos, mas que você preferiu fugir de mim. De nós. É horrível pensar que você foi um covarde. É horrível pensar no quanto eu te preciso e como eu estou presa num buraco que é fundo demais para que eu o escale sozinho. É horrível o quanto eu quero que você volte. Por favor, pelo amor de Deus, volta pra mim?”
Isabela e Rodrigo estão num relacionamento e é complicado, Letícia Sales.
“(…) Quis te pedir, então, para voltar - mas acho que você não voltaria nem se eu implorasse. Então só pensei em você, porque em meus pensamentos você está seguro, intacto e completo: cada frase, cada riso, cada silêncio.”
“Meu celular tava descarregado, no sofá, aí eu olhei pro relógio e pensei que, quem sabe, você talvez esteja com os pensamentos em mim assim como meus pensamentos estão em você. E que, quem sabe, você me mande uma mensagem falando que sem mim não dá. Porque meu medo mesmo - meu medo-rei, meu medo-monstro, meu medo-de-verdade - é que você acabe descobrindo que não precisa de mim tanto assim. Porque eu.. Ah, eu! Eu preciso desesperadamente de você.”
“(…) Sinto muito. Por você, por mim - por nós. Sei muito bem que esse não era o final que planejávamos para esse relacionamento que sempre foi tão lindo, mas a vida não tarda em cumprir seus planos e tem coisas que não há como impedir que o tempo nos tire. Você foi uma delas. O cansaço nos venceu, meu amor, e eu sei que ele não nos derrubou sem luta. É horrível fracassar quando se trata da pessoa que você ama - mas eu fracassei e você também. Ainda assim, não somos fracassados. Você entende? Não podemos ser fracassados quando tudo que passamos juntos valeu a pena e quando fomos mais felizes que tristes. Não podemos ser fracassados quando eu tenho por você o carinho melhor do mundo, as memórias melhores do mundo e o amor maior do mundo. Não somos fracassados, amor, mas fracassamos. Fracassamos na tentativa de sermos mais fortes que a dor que nos machucava dia após dia. Fracassamos ao tentarmos não nos apegar tanto - preciso tanto de você que meu peito me mata todos os dias, todos os minutos, todos os segundos que não posso passar contigo. Fracassamos ao tentar viver um amor tão intenso sem ser intensamente. Somos e sempre fomos demais, querido, e fracassamos. E eu realmente, realmente, sinto muito por isso.”
“E como já dizia Chico Buarque, “A moça triste que vivia calada sorriu”. Verdadeiramente… pela primeira vez em muito tempo. Você me completa… Sabe? Como eu nunca fui completada antes. Fui, pela primeira vez, eu mesma… E fui eu mesma porque tinha você. Sou e fui e serei tão feliz por ter você… Pra me fazer sorrir quando as coisas ficarem pesadas, pra me fazer pensar duas vezes quando eu tiver à beira de fazer algo bem idiota, pra estar comigo… Apesar de tudo e por tudo. Você fez coisas na minha vida que eu nem julgava possíveis. Você é o meu herói. Só meu, tá? Fechado? E eu confio em você. Hoje, amanhã e sempre. Te amo.”
“Hoje eu senti falta do teu bom dia. Senti falta de quando você me acordava às seis horas em ponto com uma mensagem, perguntando se eu tinha dormido bem e se eu tinha sonhado com você - porque não, eu não dormi bem e sim, eu sonhei com você, e eu queria muito conversar com você sobre isso porque tô me sentindo meio perdida, meio pequena demais pra aguentar tudo isso. Briguei com uma guria por um motivo idiota como eu, e digitei uma sms do tamanho da Rússia pra te contar a raiva que passei - aí lembrei que os detalhes da minha vida não te dizem mais direito. Tirei oito em História e nove ponto oito em Química 2, acredita? Lembra de como eu fiquei estressada e você disse que ia dar tudo certo? Tavas certo, como (quase) sempre. Escutei uma piada muito boa… Quis te contar, mas eu sempre conto piadas rápido demais e elas perdem a graça no meio do caminho. Espero que alguém um dia te conte… Tenho certeza que você vai chorar de rir quando escutar. Tô com saudade, amor. Tô com saudade de tudo que tu és na minha vida - amor, melhor amigo, namorado, paixão, bem-querer, tudo. Queria que você voltasse, mas sei que você não vai fazê-lo. Vez em quando vou te escrever porque sinto muito tua falta e tem coisas que eu só gosto de contar se for a você. Te prometi que não ia ficar maluca, não prometi? Sei que quando tu sentir muito muito muito minha falta você vai vir aqui ler minhas asneiras - então, se quiser saber de mim, vem mais vezes, que eu ainda vou te escrever muito.
Como você mesmo diz, ficar sem falar contigo me dá uma agonia no peito. Só… Te amo. E é sincero.”
“E eu me apaixonei tão profundamente por você porque você era assim, tão grande, tão pequeno, tão cheio de certezas, tão errante, mas tão, tão, tão lindo que me deu vontade de chorar. E eu chorei. Fazia tanto tempo que eu não chorava, meu amor, parecia que chovia finalmente no sertão mais árido de todos. E eu percebi que não tinha mais saída. Porque lá estava eu, chorando, de tão absurdamente maravilhoso que você era. Do modo como você pegou meu medo e sacudiu-o pra, sei lá, pro Japão. Pra Tasmânia. Pra, não sei, o Azerbaijão ou um desses países de nome engraçado que ficam bem, bem, bem longe daqui. (…) Sempre, sempre, sempre vou te amar. Só por ser você. Por ter essa risada gostosa, esse senso de humor no mínimo esquisito (mas é bom. Você é engraçadíssimo), seu jeito inconstante, babaca e ignorante que eu amo mais do que qualquer outra coisa nesse mundo. Te ver feliz, para mim, é a melhor coisa que pode existir. Tudo que você conquistou, para mim, importa ainda mais do que o que eu conquistei. E eu acho que amor é isso. O que eu sinto por você. Essa sensação de que se dá tudo que se tem, de que se quer o melhor do mundo vezes três para a outra pessoa, que entre você e ela… Você escolheria ela.”
“— E eu morro - assim, de morte morrida mesmo - de medo de perder você. Te conheço o suficiente para saber que você até gosta disso, mas, ainda assim, preferiria que eu não tivesse medo algum. Mas me diz: como eu poderia não ter todo esse medo de perder você e tudo que você é e faz por mim? É impossível, amor, impossível! Tenho medo que (e ao mesmo tempo espero que) todos vejam tudo que eu vi e vejo em você - sei que parece a coisa mais mesquinha do mundo, mas, depois de te enxergar por completo, combater o seu crescimento desenfreado dentro da gente é algo entre exaustivo e impossível. Sei disso melhor que ninguém: qualquer um que se importe o suficiente para te conhecer a fundo vai certamente se apaixonar por você. Meu sentimento por você é doze mil vezes mais forte que eu; lutar sempre esteve fora do meu alcance. Ok, nunca quis lutar contra o que sinto, eu sei… Mas não venceria se quisesse. Gosto de acreditar em destino ao mesmo tempo que queria desesperadamente não acreditar. Maktub, amor, tudo está escrito. E já que assim acredito, estava escrito que eu conhecesse você e me apaixonasse por você e te amasse assim bem muito e que isso me virasse do avesso e te virasse do avesso e virasse tudo do avesso, porque é assim…. O amor maior do mundo, um querer desesperado e essa paixão maluca que consome minha cabeça e o meu peito e tudo que eu pensava que sabia mas não sabia. Eu não sei de nada. Tô aprendendo tudo agora… Com você, por você. Somos diferentes e parecidos e repelentes e complementares. Mas o que eu mais gosto, meu amor, entenda, é o fato de sempre, semprinho, always voltarmos um pro outro. Porque eu amo você e você me ama, eu te preciso e você me precisa. Confio em você e você em mim. E não tem medo, agonia, raiva, gastura, enjoo, doença, dor de cabeça, chatice, impaciência, unha encravada, dor de dente, maluquice, cólica, macumba, mandinga da Bahia que me tire de você. Só, por favor, nunca duvide.”
“— Que você me ama, eu acredito. Mas você me precisa? Você tem urgência de mim? Do meu riso baixinho no seu ouvido, contando segredos que minhas palavras nunca seriam capaz de contar? Dos meus cabelos desgrenhados jogados na sua cama? Dos meus dentes pequenos, brancos, recém-consertados, muito caros e muito queridos? Da minha cantoria desafinada de manhã cedo? Você tem necessidade desesperada da minha personalidade irritante? Da minha voz de bebê? Do meu jeito infantil, mimado, bobo e idiota? Das minhas lágrimas? Das minhas dores, minhas cicatrizes? Das minhas palavras sempre meigas e queridas? Do meu silêncio não-tão-meigo e não-tão-querido? Da minha solidão que nem acompanhada me abandona? Do meu sorriso para tudo? Dos meus olhos procurando os seus, te fazendo carinho, fazendo entender o tamanho do meu amor por você? Você me quer? Me precisa? É apaixonado por mim? Porque o amor é calmo. O amor é estável. A paixão é desesperada. Acalentadora. Só preciso saber se você só me ama, ou se também é desesperadamente apaixonado por mim. Entende? Porque se você só amar, tudo que eu faço é em vão. Preciso desesperadamente que você seja desesperadamente precisado de mim. Porque amor sem paixão é comodidade. E eu não quero nunca, nunca, nunca, nunquinha, never ser comodidade na sua vida. Quero ser mudança. A revolução. (…) Se for pra ser comodidade, prefiro ser nada. Então só me diga. Por favor: você precisa desesperadamente de mim?”
“Amor não é um conto de fadas. Mas o nosso poderia ter sido. Perdoe minha inocência juvenil; ainda sou criança e não aprendi a amar. Não sei lidar com os encontros e desencontros desse sentimento, e de tudo que ele preenche e esvazia na minha alma. Entende? E me perdoe por te amar demais e te exigir demais e te esperar demais. Por ser tão carente de atenção e de carinho, por ser tão sozinha e ter me apegado tanto a você - entenda, sou solitária, quando você entrou na minha vida me agarrei tanto que agora não sei mais te deixar ir embora. Me perdoe por essa criança mimada que está aprendendo a amar aos erros e tropeços. Me perdoe por ser tão intensa, tão oito ou oitenta - já fui intensamente feliz por causa disso, mas hoje sou intensamente triste. Me perdoe por não saber mudar. E, principalmente, me perdoe por já não saber mais como ser o melhor para você.
Acho que meu erro foi ter te amado demais e ter me esforçado demais e ter querido demais e ter deixado essa esperança se espalhar dentro de mim. Como você mesmo me falou, amor não é que nem escrevem por aí. Amor não é um conto de fadas.
Mas, sinceramente? O nosso poderia ter sido. Nenhum conto de fadas começa feliz ou tem um meio fácil… Só um grande, gigante, final feliz. Poderíamos ter um final feliz. Poderíamos ser um conto de fadas.
Mas fazer o que, se nos tornamos apenas mais um casal que parou no meio difícil e se complicou nas dificuldades impostas pela dupla de vilãs do nosso conto de fadas? Seus nomes? Vida e distância.
É, amor… Agora só somos dois mocinhos que as vilãs conseguiram corromper. Amor não é um conto de fadas. Mas o nosso poderia ter sido.”
“Coração partido dói. E você chora ininterruptamente por trinta e quatro minutos, trancada no banheiro e abraçada com aquele bichinho de pelúcia da sua idade que foi presente do seu pai, esperando que a dor passe, ou ao menos que a intensidade dela diminua. Ah, piada! Dor de coração partido não diminui não, menina. Só aumenta. E se entranha no peito. E se multiplica. E machuca. E desatina. E mata. Não importa se você chore trinta e quatro ou sessenta e dois minutos; dor de coração partido só passa quando se conserta. E quando você quebra algo, pode-se até consertar, mas as marcas ficarão para sempre visíveis. Dor de coração partido dói pra sempre.”